Publicado por: Denis Luque | 17/03/2014

Big Biker – Taubaté 2014

O alinhamento para a terceira largada do dia deste Big Biker parece pronto.

2014-03-16 07.56.08Outras categorias haviam largado às 8h30 e às 9h00. Converso com alguns colegas da Sport sub45 e sub50, todos montados em suas mountainbikes e… 9h30, largada!

Todo mundo começa forte, inclusive o sol. Parece haver um sol pra cada um alí, companheiro implacável do começo ao fim. Pelotão amontoado, freando pouco, acelerando forte, todo mundo colado, parece um batalhão dos 300! Aos poucos, curva após curva, subida após subida, as distâncias entre os atletas vão aumentando, enquanto a sombra de cada um parece se esconder mais e mais sob a bicicleta.

Primeiro posto de água aos 11 km e… sem água! Os atletas das largadas anteriores haviam consumido tudo. Tudo bem, penso. Haverá água aproximadamente no km 22 e depois no km 33, no 42 e no 52. Estou com 2L mais a caramanhola de 0,8L. O ritmo forte do início começa anunciar que terei um preço muscular a pagar pro final da prova. Subo e desço pedalando sob o sol e aproveitando a metade da estrada onde há sombra. As sombras começam a ficar disputadas, alguns atletas parados sob as árvores pra esfriar o corpo do calor. No km 21 sinto meu câmbio traseiro recolher e travar na marcha mais pesada… O trocador não funciona mais… Termino a descida e pedalo até ficar em pé e ir ao máximo esforço. Paro, examino: cabo de aço rompido! Fiquei só com a marcha mais pesada.

Segundo posto de água e… sem água! Começo a ficar preocupado, se não reabastecer, ficarei sem água em breve. Das marchas 2×10 restaram 2×1, trocando somente no câmbio dianteiro. Embalo nas descidas e forço no plano pedalando em pé até trincar, e aí não há jeito: sem marchas, empurro nas subidas. Um amontoado de atletas parados numa porteira de uma propriedade e o casal da casa distribuindo água. Viva! Bebo uma caramanhola inteira de água fresca e gelada, e encho mais uma vez, pra seguir. Inicia-se a subida mais longa da prova… e vou empurrando. Paro à sombra pra esfriar, hidratar e alimentar o corpo. Uma pequena placa me chama a atenção: Apoio mecânico à 500m.

Acho que deve ser uma miragem, um delírio devido ao forte calor e sol escaldante, como as alucinações de oásis no deserto. Empurro os 500m e não acho nada. Paro, me alimento, bebo. Vou terminar os 66km desta prova nem que seja empurrando até o final! Subo mais um pouco, km 32, curva à direita e minha miragem surge bem alí na minha frente… Apoio mecânico! Alexandre (Peixão) com a tenda, ferramentas e peças. Conserta minha bike em 5 minutos. Serviço Bike Joe nota 10! Agradeço, sigo desta vez pedalando (eba!). Terceiro posto de hidratação e… também sem água! Sigo a prova, passo pelo bar no km 40, não tenho um real no bolso, apenas molho a cabeça na torneira pra esfriar o corpo e continuo. O trecho dos apoios dos atletas aparece no km 42, mas eu não tenho um apoio me esperando. Paro junto ao carro de uma equipe grande, tenho somente um resto quente de água. Peço num “pelamordedeus” um pouco dágua, mas ganho coca-cola e isotônico, ajudo um atleta com um pedaço de silvertape que eu tinha enrolado na mesa (nem sei porque estava lá, rs) e sigo. Mais alguns quilômetros e o posto de hidratação tem água! Ufa! Bebo mais uma caramanhola inteira de água e a encho de novo. Agora dá pra ir até o final. Subidas e descidas, cruzo um rio pela água, curva à esquerda e aparece a placa de 10 km para o final…

Não, os problemas não acabariam aí… Começa um esforço por ganhar posições uns dos outros, a explosão final até a chegada! Um passa-passa interessante, pernas queimando, respiração difícil, 5 km para o final… Mais esforço e consigo ganhar duas posições, 4 km para a chegada, inicia-se o trecho de asfalto, subida de 1 km, abro uma vantagem sobre o outro atleta. Inicia-se a descida, 40 km/h, lombada a 3 km do final e… minha roda dianteira escorrega em pouca areia que há na pista, quase caio! Olho pra baixo e vejo meu pneu dianteiro murchando… Alinho o corpo, pedalo mais equilibrado e descido não parar pra consertar. Vou aumentando o esforço enquanto o pneu vai murchando e a velocidade vai diminuindo… Mais um desequilíbrio, quase vou pro chão! Faltam 2 km pro final, velocidade a 15 km/h e equilibrando igual num slackline. Perco a vantagem da posição que eu havia ganhado e sou ultrapassado. Placa de 1 km pro final, termina o asfalto e o aro da roda está grudado no chão. Desmonto da bike rapidamente, curva à esquerda, estrada de terra e pedra, vou empurrando e correndo com a bike na mão, e assim cruzo a linha de chegada!

2014-03-16 07.55.41Agradecimentos ao Alexandre (Peixão) no apoio mecânico, ao casal que incansavelmente fornecia água fresca aos atletas na porteira de sua propriedade, à equipe de apoio alheia que me auxiliou com coca-cola e isotônico, aos staffs da prova nos pontos de hidratação e ao amigo Renato, que correu na Sport sub35, por me fazer companhia na viagem e na chegada. Bom, como sempre, Big Biker é foda! Sempre um grande desafio!

                         Denis Luque

Publicado por: Denis Luque | 22/10/2013

Peraí…

Expressão cunhada nos moldes da velocidade linguística e da velocidade da informação dos tempos atuais, a expressão idiomática peraí tem um sentido próprio e, se analisado com mais profundidade, possui uma leitura rica do significado daquele momento em que é dito ou escrito.

Na linguagem verbal, peraí dito devagar e baixinho demonstra um arrá, já saquei! Agora, se dito alto e o íííí estica com entonação forte, ele certamente escondeu um palavrão, no estilo me espera, #$@%*#&#$! Dito repetidamente e ligeirinho, está significando dor (de barriga, muitas vezes) ou um aperto no sentido de desespero, do tipo nãããão… fdeu!. Se também dito repetidamente, só que devagar e pra si mesmo, hmmm, estou descobrindo alguma coisa!

A linguagem escrita dos chats também não perde na flexibilidade de significados intrínsecos. Começando com maiúscula e com reticências, Peraí… fica até educadinho, soando como um Aguarde um momento, por favor. Já no meio da frase, pode significar um que absurdo! “O camarada foi atravessar a rua mas, peraí, nem olhou pros lados!” Em caso de pânico, peraí certamente virá escrito via chat sem pontuação alguma e começando com letra minúscula. E o pânico fica maior ainda para o interlocutor do outro lado da conversa, que fica sem saber o que está acontecendo. Um veneno pra quem é ansioso!

Mas peraí…

— Denis Luque —

Publicado por: Denis Luque | 01/09/2013

A face do destruidor

A face do destruidor

Você se depara com um sujeito destruidor.

A situação é delicada e requer movimentos pensados. Agir por impulso poderá ser um estopim para enfiar a sua vida pessoal e profissional num buraco. Muitas vezes é difícil perceber a face do destruidor. Ele se esconde atrás de sorrisos sem motivos, ironias gratuitas, felicidade aparente, amizade infinita. Ele parece ser a pessoa mais legal do mundo. A face do destruidor está por trás desta máscara.

Você teve educação, seus pais te criaram com valores, respeito, confiança. O destruidor não aprendeu nenhum valor, por isso ele não sentirá remorso em destruir. Ele não tem nenhum respeito, pois ele não sabe o que é isso. Pra ele, é apenas um ponto fraco dos outros. Ele não é confiável, pois não tem nada a perder – não tem amizades a perder pois só tem relacionamentos por interesse; não tem peso na consciência, pois não tem valores; não se arrepende, pois não tem respeito. É uma laranja podre que contamina os inocentes. Ele não tem capacidade de evoluir, então destrói aqueles que evoluem ou se destacam, se eles bobearem.

A face do destruidor.

<< Denis Luque >>

———-reflexão adicional: http://letras.mus.br/titas/86500/ ———-

Publicado por: Denis Luque | 01/04/2013

Construindo pirâmides no mundo corporativo

Você já deve ter construído pirâmides e nem se deu conta disto. Leia Mais…

Publicado por: Denis Luque | 11/12/2012

E se…

A cada instante da vida nos deparamos com uma decisão de agir, decidir, direcionar. E cada decisão gera um “e se” que deixamos para trás para ganharmos um “este aqui” ou “isto aqui” como escolha. Nem sempre acertamos em todas elas, mas buscamos ir redirecionando para acertar a grande maioria. Quando mais jovens, erramos mais. Falta-nos a maturidade de saber prever, falta-nos ainda todos os velhos erros que, hoje, mais velhos, vemos que precisaríamos cometer para aprender a decidir melhor, para nos conhecermos a nós mesmos.

Não deixe pesar os “e se´s” sobre você. Eles são uma base do que você  é hoje, são o recheio da sua estrutura, que é a sua história. Filosofar sobre eles é um bom exercício mental. Creio que vale lembrá-los de vez em quando. Nossos cérebros têm uma digestão ruminante… Os pensamentos vão e voltam, as hipóteses ecoam, intensificam-se e amenizam-se num ciclo contínuo até que determinado assunto ou tema não desequilibre mais o nosso estado emocional, nossa mente, nosso espírito e nosso corpo. Às vezes horas, às vezes décadas… Cada coisa tem seu tempo dentro de nós.

Raros são aqueles já vividos que não têm uma pessoa querida que ficou perdida no tempo entre um “ainda é cedo” e um “agora é tarde”, ou que não se ressinta por uma negociação mal concluída por ansiedade, ou que não se amargure por ter ferido alguém querido com palavras que saíram da boca antes do filtro do sentimento ecoadas apenas pela emoção de um momento, ou por não ter se permitido ajudar alguém porque “não tinha tempo”, ou por ter deixado de viver os últimos momentos agradáveis com alguém que se ama por conta de compromissos…

Não podemos reviver os “e se´s” que deixamos para trás, mesmo porque isto deixaria um outro “e se” no vácuo: o que você realmente escolheu. Mas podemos refletir e usar todos esses recheios que já vivemos para decidir o próximo “e se” com mais tranquilidade e confiança!

E se eu não tivesse escrito nada disto? E se você não tivesse lido nada disto? E se…

– —Denis Luque—–

Publicado por: Denis Luque | 13/03/2012

A busca intransitiva

O mundo de hoje evolui a uma velocidade bem superior ao tempo de nossos antepassados. A tecnologia é uma grande aliada à velocidade das mudanças do mundo atual, trazendo com maior rapidez as informações e conhecimentos necessários para promover tais mudanças. O crescimento populacional também contribui, pois oferece uma diversificação crescente e em maior quantidade de ideias inovadoras, métodos, processos e geração de conhecimento.

Há a impressão, talvez num inconsciente coletivo, de que cada um de nós deva acompanhar a velocidade de tudo isso, em todas as coisas. Essa impressão cria uma busca compulsiva pelo novo, pelo “não sei o quê”, uma ação intransitiva apenas para não ter a sensação de ficar para trás.

A diversidade de pessoas permite a evolução do ser humano concomitantemente em muitos aspectos. Essa diversidade também contém uma gama de desejos e objetivos diferentes dessas pessoas. Cada um deve refletir e descobrir quais são os objetivos que realmente lhe agregam valor e trazem satisfação pessoal ou ainda que atendam suas necessidades. Um grande felino caçador não caça o rebanho todo de uma vez; ele foca em um animal a cada caçada.

Como lidar, então, com tantas opções disponíveis? Neste caso, o minimalismo ajuda: o menos é mais. Elimine o que não agrega valor ou o que lhe tomará um tempo ou custo que não valem a pena dentre as opções que você tem. Buscar o todo é uma ilusão que nos impede de tê-lo. Buscar cada coisa no seu tempo é o caminho para ter o todo.

Denis Luque

Publicado por: Denis Luque | 10/07/2011

Tênis Salomon Speed Cross 2

Salomon Speed Cross 2

Resolvi republicar a avaliação do Salomon Speed Cross 2 pois ainda julgo este o melhor tênis para corridas de aventura e trail run, e muitos amigos pedem dicas sobre tênis para este esporte.

Data da avaliação: 27, fevereiro, 2010.
Evento: Troféu São Paulo de corrida de aventura.
Local: Ilhabela – SP
Fornecedor patrocinador: Casa de Pedra

Nesta corrida de aventura de 50km, o trecho de trekking foi bastante exigente, partindo da praia do Perequê, correndo pelas ruas e subindo por trilhas até aproximadamente 400m de altitude, rasgando mato e atravessando rios até chegar à cachoeira. Dalí para baixo foi pelas pedras do rio e diversos mergulhos, até encontrar a trilha e depois a estrada de terra até às ruas da cidade novamente. 

solado
O tênis Salomon Speed Cross 2 usado nesta aventura se mostrou bastante leve, o que foi um diferencial logo no início da prova onde a velocidade de corrida era maior pelas ruas de Ilhabela e já dava pra sentir mais leveza nos pés. Nos  trechos de trilha e mata fechada, o modelo se mostrou resistente à torção lateral, o que protege os pés de um entorse ou mesmo um “rola”  barranco abaixo. Fiquei muito bem impressionado com a flexibilidade na parte dianteira do tênis, proporcionando uma pisada mais fácil, uma vez que o tênis lê o terreno ao invés de brigar com ele. Trechos enlameados não mostraram perigo, pois o solado responde com uma ótima aderência com seu desenho que lembram  os de pneus de jipes. Nas partes lisas de pedras após a cachoeira a aderência também se confirmou, e o seu tecido na região do peito do pé permite um rápido escoamento de água para fora, dando a sensação de pé seco pouco tempo depois de atravessar o rio.
flexibilidade sem esforço

Na comparação com o tradicional Salomon XA Pro 3D, o Salomon Speed Cross 2 é mais leve e mais flexível na parte dianteira, contribuindo para a economia de energia durante a prova. O solado é tão ou mais aderente, e a capacidade de escoamento de água é um pouco melhor. Também senti maior amortecimento na região do calcanhar durante as pisadas, conferindo maior conforto. O cabedal tradicional rápido da Salomon também está presente neste modelo. Senti falta apenas de uma pequena alça na região traseira para prender no gancho da mochila quando fiz a transição para a bike, vestindo as sapatilhas e carregando o tênis na mochila. 

                                             Denis Luque 

Publicado por: Denis Luque | 16/03/2011

Outro mais, outro menos

Outro dia, outra coisa. Mais um dia, um dia a mais é um dia a menos. Uma coisa a mais é uma coisa a menos. Melhor ter um dia a menos pra fazer tal coisa, e ter uma coisa pra fazer um dia mais. Quero um dia menos pra uma coisa mais. O menos é mais. Quanto mais, menos. Quanto menos, mais. Quero menos. Menos dias. Cada coisa no seu dia? Todas as coisas num único dia! Tudo!

                         Denis Luque

Publicado por: Denis Luque | 17/01/2011

Curto. Dia curto. Curto o dia, o dia é curto.

Tão bem começo a deslanchar nas atividades em que mais descanso e o dia já está no fim. O cansaço é só um efeito colateral abestado na manhã, à tarde eu estou apenas no automático, criando, ralando, acordando de um estado de letargia psicológica daquilo que move o meu ser, para então, ao crepúsculo, romper a tênue seda que limita meu invólucro de hibernação alucinógena para a explosão da energia de criação noturna!

O prazo para o fim não é só marcado no relógio, o aviso de lembrança é o sono que vem batendo e apanhando ao mesmo tempo. O momento da sonolência do dia seguinte amargura de ansiedade conforme o sol vai dando a volta no globo e a lua vai virando de lá pra cá. As ideias vão tomando forma, as ações dando rumo aos planos, os planos atingindo as metas e o gozo da saciedade da conquista dos desafios se espalha como fogo!

Olho a hora, a vista pesa, a mente embaralha a concatenação dos tropeços. Curto. Tenho mais para pensar e o pensamento não tem mais o tempo do dia. Dia curto. Amanhã faço tudo de novo, tudo novo, de novo, do novo, e curto o dia novo. Amanhece o dia, o dia é curto.

                      Denis Luque

Publicado por: Denis Luque | 02/01/2011

Começar tudo de novo

Fim de ano, começo de ano. “Começar tudo de novo” pode parecer batido, mas somente se você não se der conta de que a leitura desta frase pode e deve ser feita de maneira diferente.

“Começar” indica iniciar algo que você ainda não fez. Diferente de tentar outra vez ou de recomeçar. Também não é reinventar, nem retrabalhar, modificar. O dicionário não ajuda muito, vai dizer que é iniciar, dar princípio, e só. Mas há uma leitura mais profunda desta palavra. Esta leitura profunda parte não da pronúncia mas do sentimento, que nasce no pensamento e ganha forma na energia do espírito, do coração, em forma de garra, otimismo, planejamento e principalmente ação.

O “tudo” pode parecer vago, mas não é. Ele representa aquilo que não cabe dentro do peito mas que cabe dentro da nossa vontade, da nossa gana, da nossa fome. É a expressão da esperança. É a explosão da vida.

Algo “de novo” deixa o pensamento, à margem de sua interpretação, voar na direção da sua personalidade. Mas vamos lapidar um pouco essa interpretação. Usaremos o “de” com parte de algo. Assim, o “novo” torna-se infinito e representa aquilo que será vivido pela primeira vez. Desta forma, o “de novo” é uma fração do infinito de possibilidades daquele novo que ainda iremos viver. O novo sem reformas, sem fronteiras, o novo único e virgem, o novo original.

Feliz “Começar tudo de novo” para você!

                               Denis Luque

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